Cabinda News  -  Vol  Issue SETEMBRO-OUTUBRO 2000  ANO 1 NÚMERO 1

CABINDA NEWS
 
 
 
 

 
 
 

 



| POLÍTICA

ECONOMIA

| ENSINO E CULTURA 

| SAÚDE

| TRANSPORTES

| COMUNICAÇÃO SOCIAL 

| INFORMAÇÃO MILITAR


A ACTUAL SITUAÇÃO EM CABINDA

POLÍTICA

O território do País, está ocupado pelo país colonialista Angola, exercendo uma ditadura, inequivocamente sangrenta, assente numa forte presença militar desde 1975. Não há qualquer possibilidade de associação política  de cariz independentista, não há liberdade de opinião, não há liberdade de manifestação. A estrutura do poder político colonialista assenta na figura de um "governador" nomeado, que "preside" a um "governo" provincial. O poder local colonialista, assenta na figura de comissariados. O poder tradicional está fortemente condicionado.

ECONOMIA

Está absolutamenete exausta. A principal fonte de receita, tem origem na exploração off-shore  do petróleo de Cabinda, através de uma associação de empresas, onde tem papel principal a empresa americana Chevron . Além de métodos ilegais de exploração petrolífera com consequências desastrosas nomeadamente no plano ambiental, o nosso País e o seu Povo não recebe qualquer benefício. Os trabalhadores locais que trabalham na Chevron são retribuídos por um combinado em (poucos) novos-Kwanzas  (moeda colonial angolana, aliás, sem qualquer valor cambial) e uma esmola que toma a designação humilhante de cabaz, constituído por géneros alimentícios, para a sobrevivência indispensáveis, mas que por razões de absoluta necessidade o trabalhador renuncia ao seu uso directo, colocando-o (o conteúdo do "cabaz") nos mercados da capital e nas fronteiras. Em 1990, o governo colonialista de Angola nomeou um governador natural de Cabinda, que para a função transitou da posição de vice-ministro da indústria do governo de Luanda, o qual exigiu a instituição de um plano de emergência, da sua aceitação, fazendo depender a aceitação do cargo. José Eduardo dos Santos (JES) simulou aceitar a proposta ( que tinha a recomendação de abrandamento da pressão social sentida no nosso País). Prometeu (nunca cumpriu!) aplicar 10% das receitas da exploração do petróleo em Cabinda e permitiu a abertura de algumas empresas em Cabinda (produção têxtil, calçado, chinelos, fogões, construção civil, etc.). que o referido governador convidou através dos conhecimentos adquiridos no exercício da sua função anterior. Este impulso durou pouco tempo: 3-4 anos! Neste preciso momento as empresas, ou fecharam, ou desenvolvem actividade residual. Este governador em 1994 ou 1995 foi chamado de novo a Luanda (chegou a ministro das finanças) e o nosso País vive actualmente de uma agricultura rudimentar e de um comércio de vertente colonialista. Não há qualquer investimento público ou privado. Portanto, a economia está, como disse no princípio, exausta e moribunda.

ENSINO E CULTURA

Os estudantes em Cabinda são forçados a frequentar um ensino com base nos programas do ministério da educação do governo colonialista angolano!

As instalações das escolas são péssimas, o equipamento não está em boas condições, não há material didáctico, não abundam os manuais, o corpo docente é reduzido e apresenta imensas carências no domínio académico e nos métodos pedagógicos. No interior a situação é bastante mais grave.

O sistema de ensino culmina num esboço de ensino secundário e consequentemente não há uma única instituição de ensino superior em Cabinda!

Ora isto representa um crime contra a cultura do Povo de Cabinda, que é muito rica, plena de referências e absolutamente própria e portanto singular no contexto do continente Africano !

Não dar atenção ao ENSINO em Cabinda é parte da estratégia do governo colonialista angolano, que nunca escondeu pretender anular as características específicas e as singularidades da cultura do nosso Povo. Observe-se, por exemplo, que a Língua Nacional não faz parte dos currícula  do sistema de ensino praticado no nosso território ocupado! Aliás, chegou mesmo, até aos anos 80, a ser proíbido que os Cabindas usassem e falassem  a Língua Nacional!

Apenas no âmbito da Igreja Católica  (que possui um Seminário Menor) e da Igreja Protestante se faz uso e apelo à Língua Nacional e à manutenção de muitos dos usos e costumes próprios do nosso Povo.

SAÚDE

Cabinda possui um Hospital Central de dimensões generosas, construído antes da ocupação angolana. Neste momento , há uma gritante carência de pessoal médico e de pessoal de enfermagem. O mesmo ocorre quanto ao equipamento, ao material cirúrgico e auxiliar e aos medicamentos! Observe-se que, se um utente necessitar de internamento e intervenção cirúrgica, tem que ser portador de todo o material (lençóis, toalhas, tesouras, pinças, pensos, ...)! Em 1993-1994 a companhia americana Chevron, que colabora com o governo de Angola no roubo do petróleo de Cabinda, construiu uma unidade hospitalar, próximo do centro da capital, moderna e bem apetrechada, mas de acesso restrito. Essa construção procurou dar uma melhor resposta, no que diz respeito a espaço e condições de trabalho, uma vez que possuía instalações no centro da cidade em edifício urbano.

Há muitos problemas de saúde em Cabinda. Podemos considerar de maior relevo os seguintes: malária, sida  e outros, decorrentes de subnutrição, deficientes condições de higiéne e ausência de cuidados de saúde primários, tais como oportunos programas de vacinação.

Mais duas notas sobre este assunto:

O corpo clínico da Chevron é constituído por médicos portugueses que possuem excelente preparação científica, nomeadamente no que diz respeito a doenças tropicais. Conhecem bem o meio em que desenvolvem a sua actividade, estabelecendo, também pelo domínio de línguas, inglês (no interior das instalações do Malongo) e português (no interior- Malongo -e no exterior, na já citada unidade hospitalar), um muito bom nível de comunicação com a população que atendem, Evidentemente que prestam um serviço de inestimável valor. Mas o seu "raio de acção" é forçosamente limitado, primeiro porque a sua actividade principal se centra nos serviços à companhia nas instalações do Malongo e depois sim, na unidade hospitalar a que aludimos anteriormente, mas de acesso restrito de utentes (familiares de trabalhadores locais, dizemos locais, porque não são todos nacionais, há muitos angolanos). Face a esta exposição e mesmo tendo em conta que esta actividade benéfica tem condicionamentos, podemos afirmar que o Departamento Clínico da Chevron funciona bem. Ora agora surge um problema grave e actual. É o seguinte: o governo colonialista angolano quer interferir e angolanizar este Departamento, o que pode passar pela dispensa ou despedimento dos médicos e técnicos de saúde portugueses, substituindo pelo sistema de contratação de serviços médicos a uma entidade (empresa) exterior à Chevron. Podemos imaginar as consequênciasŠ

Há ainda uma pequena unidade de serviços médicos e assistenciais para doenças infecto-contagiosas, com uma actividade humana exemplar, coordenada por uma ordem religiosa católica feminina - Mercedárias -, no centro de Cabinda, mas que, sem apoios, vive com carências extraordinárias!
 

TRANSPORTES
(em memória de José Cola Fuca )

Em Cabinda não há rede regular de transportes públicos. Os transportes de pessoas e mercadorias fazem-se por iniciativas particulares. Praticamente todas as viaturas ligeiras fazem serviço de "táxi  ".

Não há uma adequada rede de oficinas de assistência mecânica, pelo que, a maior parte dos veículos circulam em péssimas condições de segurança. O parque automóvel é pobre e está envelhecido.

Nas viaturas mistas e de cargas vive-se o mesmo mal. Carga e pessoas são colocados do mesmo modo, sem condições! Por esse motivo, registam.se muitos acidentes graves, com vítimas mortais em quantidade.

É vulgar que a população, para se deslocar, empreenda longas caminhadas. Absolutamente injustas.

Paradoxalmente os combustíveis, muitas vezes objecto de candonga , atingem preços proibitivos!

Tanto quanto as viaturas novas. Por isso, o acesso a essas viaturas é privilégio dos membros do MPLA&FAPLA e de alguns comerciantes locais.

Também neste aspecto a população é absolutamente desprezada. Situação absolutamente compreensível no quadro da política praticada pelos colonialistas angolanos em Cabinda: desprezo pelo Povo de Cabinda e roubo das suas riquezas.

Cabinda dispõe de uma interessante rede viária, obra da administração Portuguesa. Por isso, há mais de 25 anos que não se verificam obras públicas significativas de melhoramento ou alargamento da rede viária.

José Cola Fuca era um jovem pleno de vigor, vontade de viver e força interior e trabalhador, vítima mortal de um acidente de viação, juntamente com mais treze inocentes que viajavam na mesma viatura e que encontraram a morte (7 de Agosto de 1998, 6 horas da manhã, viagem Tchiowa-Malongo, embate da viatura em que seguiam contra uma viatura militar do exército do ocupante angolano, próximo do monumento ao Tratado de Simulambuco)  e com ela, o fim da esperança numa Cabinda Livre. Em José Fuca, fazemos a memória de todas as vítimas em acidentes de viação ocorridos no nosso Território ocupado.

COMUNICAÇÃO SOCIAL

O Povo de Cabinda não está informado. Televisão e Rádio são estatais, isto é, são propriedade do governo colonialista angolano. O Povo de Cabinda é obrigado a ver e a ouvir pura propaganda angolana!

E ler? De circulação clandestina, restrita e obviamente sujeita à perseguição dos colonialistas angolanos, pode ler o jornal   CABINDA RESISTENTE  , órgão de informação da FLEC-FAC. Quanto ao resto, a imprensa de Cabinda é, no mínimo, colaboracionista ! A título de exemplo, tomamos em mãos o jornal Chiloango   , nº 0 (zero), ano I, com data de Janeiro de 1994. Logo na "Linha Editorial", página 1, termina o registo no ponto 4, afirmando sem vergonha : "Aos jornalistas do jornal Chiloango é garantida autonomia e independência editorial, com respeito pelas Leis Constitucional, de Imprensa e demais leis em vigor na República de Angola." (Ó Senhor Director , não bastava ter abandonado as suas funções na Igreja Católica, agora também trai o seu Povo???)

Observemos os títulos das notícias divulgadas neste nº 0 do Chiloango  : "Consenso sobre o caso Cabinda", "Governador balanceia 1993", "Governador satisfeito  com trabalho dos órgãos de informação", "Estatísticas provinciais vão apoiar gestão de empresas" (TUDO NA PRIMEIRA PÁGINA!), Mensagem do Fim-de-Ano do Governador Provincial Dr. Augusto da Silva Tomás" (A TODA A MANCHA DAS PÁGINAS CENTRAIS, 4 e 5!), "Comando da Frente Militar desmente Nzita Tiago" (PÁGINA 6), "25 Anos de Produção petrolífera em Cabinda" (PÁGINA 7)....

O Povo de Cabinda Não só sente no corpo e na alma a ocupação e ditadura de JES&MPLA&FAPLA&CHEVRON, como está cercado por informação envenenada!

Felizmente existe a Internet . Em http: // www.cabinda.net, respira-se ar puro! Mas , no interior do Território de Cabinda, ocupado, quem tem acesso a esta página electrónica?

Brevemente esta página será enriquecida com uma edição electrónica, NOTÍCIAS DE CABINDA  ,
para a qual se espera colaboração de todos aqueles que amam a liberdade e a verdade..

A nível internacional, o regime colonialista angolano, contrastando com a propaganda que faz de si próprio (cf. revista TIME , edição europeia de 2.10.00), impõe uma barreira de silêncio à situação de Cabinda; MAS ATENÇÃO VERDUGOS DE LUANDA E SEUS COLABORADORES! Precisamente dos países que constituem dois dos vossos mais importantes apoios, podemos observar (promissores) pontos de ruptura nessa barreira vergonhosa, por exemplo Portugal (cf. O INDEPENDENTE, edição de 22 de Setembro de 2000) e Brasil (cf. O CORREIO DO POVO; edição de 24 de Setembro de 2000), notícias disponíveis também na Net.

INFORMAÇÃO MILITAR (nº1)

As forças armadas assassinas do MPLA (FAPLA) utilizam nos seus bombardeamentos aéreos indiscriminados e que visam essencialmente a população civil, aviões TUCANO (de ataque ao solo) de FABRICO BRASILEIRO (bombardeamentos no território de Angola. Em Cabinda, o ocupante angolano não pode usar aviação na floresta do Maiombe. A Natureza é uma defesa!).

Da mesma origem , são algumas das bombas químicas (cianido orgânico, gás dos nervos, fosfina, etc...), altamente tóxicas, utilizadas nesses bombardeamentos.
 
 


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