A ACTUAL SITUAÇÃO
EM CABINDA
POLÍTICA
O território do País, está ocupado pelo país
colonialista Angola, exercendo uma ditadura, inequivocamente sangrenta,
assente numa forte presença militar desde 1975. Não há
qualquer possibilidade de associação política
de cariz independentista, não há liberdade de opinião,
não há liberdade de manifestação. A estrutura
do poder político colonialista assenta na figura de um "governador"
nomeado, que "preside" a um "governo" provincial. O poder local colonialista,
assenta na figura de comissariados. O poder tradicional está fortemente
condicionado.
ECONOMIA
Está absolutamenete exausta. A principal fonte de receita, tem
origem na exploração off-shore do petróleo de
Cabinda, através de uma associação de empresas, onde
tem papel principal a empresa americana Chevron . Além de métodos
ilegais de exploração petrolífera com consequências
desastrosas nomeadamente no plano ambiental, o nosso País e o seu
Povo não recebe qualquer benefício. Os trabalhadores locais
que trabalham na Chevron são retribuídos por um combinado
em (poucos) novos-Kwanzas (moeda colonial angolana, aliás,
sem qualquer valor cambial) e uma esmola que toma a designação
humilhante de cabaz, constituído por géneros alimentícios,
para a sobrevivência indispensáveis, mas que por razões
de absoluta necessidade o trabalhador renuncia ao seu uso directo, colocando-o
(o conteúdo do "cabaz") nos mercados da capital e nas fronteiras.
Em 1990, o governo colonialista de Angola nomeou um governador natural
de Cabinda, que para a função transitou da posição
de vice-ministro da indústria do governo de Luanda, o qual exigiu
a instituição de um plano de emergência, da sua aceitação,
fazendo depender a aceitação do cargo. José Eduardo
dos Santos (JES) simulou aceitar a proposta ( que tinha a recomendação
de abrandamento da pressão social sentida no nosso País).
Prometeu (nunca cumpriu!) aplicar 10% das receitas da exploração
do petróleo em Cabinda e permitiu a abertura de algumas empresas
em Cabinda (produção têxtil, calçado, chinelos,
fogões, construção civil, etc.). que o referido governador
convidou através dos conhecimentos adquiridos no exercício
da sua função anterior. Este impulso durou pouco tempo: 3-4
anos! Neste preciso momento as empresas, ou fecharam, ou desenvolvem actividade
residual. Este governador em 1994 ou 1995 foi chamado de novo a Luanda
(chegou a ministro das finanças) e o nosso País vive actualmente
de uma agricultura rudimentar e de um comércio de vertente colonialista.
Não há qualquer investimento público ou privado. Portanto,
a economia está, como disse no princípio, exausta e moribunda.
ENSINO E CULTURA
Os estudantes em Cabinda são forçados a frequentar um
ensino com base nos programas do ministério da educação
do governo colonialista angolano!
As instalações das escolas são péssimas,
o equipamento não está em boas condições, não
há material didáctico, não abundam os manuais, o corpo
docente é reduzido e apresenta imensas carências no domínio
académico e nos métodos pedagógicos. No interior a
situação é bastante mais grave.
O sistema de ensino culmina num esboço de ensino secundário
e consequentemente não há uma única instituição
de ensino superior em Cabinda!
Ora isto representa um crime contra a cultura do Povo de Cabinda, que
é muito rica, plena de referências e absolutamente própria
e portanto singular no contexto do continente Africano !
Não dar atenção ao ENSINO em Cabinda é parte
da estratégia do governo colonialista angolano, que nunca escondeu
pretender anular as características específicas e as singularidades
da cultura do nosso Povo. Observe-se, por exemplo, que a Língua
Nacional não faz parte dos currícula do sistema de
ensino praticado no nosso território ocupado! Aliás, chegou
mesmo, até aos anos 80, a ser proíbido que os Cabindas usassem
e falassem a Língua Nacional!
Apenas no âmbito da Igreja Católica (que possui um
Seminário Menor) e da Igreja Protestante se faz uso e apelo à
Língua Nacional e à manutenção de muitos dos
usos e costumes próprios do nosso Povo.
SAÚDE
Cabinda possui um Hospital Central de dimensões generosas, construído
antes da ocupação angolana. Neste momento , há uma
gritante carência de pessoal médico e de pessoal de enfermagem.
O mesmo ocorre quanto ao equipamento, ao material cirúrgico e auxiliar
e aos medicamentos! Observe-se que, se um utente necessitar de internamento
e intervenção cirúrgica, tem que ser portador de todo
o material (lençóis, toalhas, tesouras, pinças, pensos,
...)! Em 1993-1994 a companhia americana Chevron, que colabora com o governo
de Angola no roubo do petróleo de Cabinda, construiu uma unidade
hospitalar, próximo do centro da capital, moderna e bem apetrechada,
mas de acesso restrito. Essa construção procurou dar uma
melhor resposta, no que diz respeito a espaço e condições
de trabalho, uma vez que possuía instalações no centro
da cidade em edifício urbano.
Há muitos problemas de saúde em Cabinda. Podemos considerar
de maior relevo os seguintes: malária, sida e outros, decorrentes
de subnutrição, deficientes condições de higiéne
e ausência de cuidados de saúde primários, tais como
oportunos programas de vacinação.
Mais duas notas sobre este assunto:
O corpo clínico da Chevron é constituído por médicos
portugueses que possuem excelente preparação científica,
nomeadamente no que diz respeito a doenças tropicais. Conhecem bem
o meio em que desenvolvem a sua actividade, estabelecendo, também
pelo domínio de línguas, inglês (no interior das instalações
do Malongo) e português (no interior- Malongo -e no exterior, na
já citada unidade hospitalar), um muito bom nível de comunicação
com a população que atendem, Evidentemente que prestam um
serviço de inestimável valor. Mas o seu "raio de acção"
é forçosamente limitado, primeiro porque a sua actividade
principal se centra nos serviços à companhia nas instalações
do Malongo e depois sim, na unidade hospitalar a que aludimos anteriormente,
mas de acesso restrito de utentes (familiares de trabalhadores locais,
dizemos locais, porque não são todos nacionais, há
muitos angolanos). Face a esta exposição e mesmo tendo em
conta que esta actividade benéfica tem condicionamentos, podemos
afirmar que o Departamento Clínico da Chevron funciona bem. Ora
agora surge um problema grave e actual. É o seguinte: o governo
colonialista angolano quer interferir e angolanizar este Departamento,
o que pode passar pela dispensa ou despedimento dos médicos e técnicos
de saúde portugueses, substituindo pelo sistema de contratação
de serviços médicos a uma entidade (empresa) exterior à
Chevron. Podemos imaginar as consequênciasŠ
Há ainda uma pequena unidade de serviços médicos
e assistenciais para doenças infecto-contagiosas, com uma actividade
humana exemplar, coordenada por uma ordem religiosa católica feminina
- Mercedárias -, no centro de Cabinda, mas que, sem apoios, vive
com carências extraordinárias!
TRANSPORTES
(em memória de José Cola Fuca )
Em Cabinda não há rede regular de transportes públicos.
Os transportes de pessoas e mercadorias fazem-se por iniciativas particulares.
Praticamente todas as viaturas ligeiras fazem serviço de "táxi
".
Não há uma adequada rede de oficinas de assistência
mecânica, pelo que, a maior parte dos veículos circulam em
péssimas condições de segurança. O parque automóvel
é pobre e está envelhecido.
Nas viaturas mistas e de cargas vive-se o mesmo mal. Carga e pessoas
são colocados do mesmo modo, sem condições! Por esse
motivo, registam.se muitos acidentes graves, com vítimas mortais
em quantidade.
É vulgar que a população, para se deslocar, empreenda
longas caminhadas. Absolutamente injustas.
Paradoxalmente os combustíveis, muitas vezes objecto de candonga
, atingem preços proibitivos!
Tanto quanto as viaturas novas. Por isso, o acesso a essas viaturas
é privilégio dos membros do MPLA&FAPLA e de alguns comerciantes
locais.
Também neste aspecto a população é absolutamente
desprezada. Situação absolutamente compreensível no
quadro da política praticada pelos colonialistas angolanos em Cabinda:
desprezo pelo Povo de Cabinda e roubo das suas riquezas.
Cabinda dispõe de uma interessante rede viária, obra da
administração Portuguesa. Por isso, há mais de 25
anos que não se verificam obras públicas significativas de
melhoramento ou alargamento da rede viária.
José Cola Fuca era um jovem pleno de vigor, vontade de viver
e força interior e trabalhador, vítima mortal de um acidente
de viação, juntamente com mais treze inocentes que viajavam
na mesma viatura e que encontraram a morte (7 de Agosto de 1998, 6 horas
da manhã, viagem Tchiowa-Malongo, embate da viatura em que seguiam
contra uma viatura militar do exército do ocupante angolano, próximo
do monumento ao Tratado de Simulambuco) e com ela, o fim da esperança
numa Cabinda Livre. Em José Fuca, fazemos a memória de todas
as vítimas em acidentes de viação ocorridos no nosso
Território ocupado.
COMUNICAÇÃO SOCIAL
O Povo de Cabinda não está informado. Televisão
e Rádio são estatais, isto é, são propriedade
do governo colonialista angolano. O Povo de Cabinda é obrigado a
ver e a ouvir pura propaganda angolana!
E ler? De circulação clandestina, restrita e obviamente
sujeita à perseguição dos colonialistas angolanos,
pode ler o jornal CABINDA RESISTENTE , órgão
de informação da FLEC-FAC. Quanto ao resto, a imprensa de
Cabinda é, no mínimo, colaboracionista ! A título
de exemplo, tomamos em mãos o jornal Chiloango , nº
0 (zero), ano I, com data de Janeiro de 1994. Logo na "Linha Editorial",
página 1, termina o registo no ponto 4, afirmando sem vergonha :
"Aos jornalistas do jornal Chiloango é garantida autonomia e independência
editorial, com respeito pelas Leis Constitucional, de Imprensa e demais
leis em vigor na República de Angola." (Ó Senhor Director
, não bastava ter abandonado as suas funções na Igreja
Católica, agora também trai o seu Povo???)
Observemos os títulos das notícias divulgadas neste nº
0 do Chiloango : "Consenso sobre o caso Cabinda", "Governador balanceia
1993", "Governador satisfeito com trabalho dos órgãos
de informação", "Estatísticas provinciais vão
apoiar gestão de empresas" (TUDO NA PRIMEIRA PÁGINA!), Mensagem
do Fim-de-Ano do Governador Provincial Dr. Augusto da Silva Tomás"
(A TODA A MANCHA DAS PÁGINAS CENTRAIS, 4 e 5!), "Comando da Frente
Militar desmente Nzita Tiago" (PÁGINA 6), "25 Anos de Produção
petrolífera em Cabinda" (PÁGINA 7)....
O Povo de Cabinda Não só sente no corpo e na alma a ocupação
e ditadura de JES&MPLA&FAPLA&CHEVRON, como está cercado
por informação envenenada!
Felizmente existe a Internet . Em http: // www.cabinda.net, respira-se
ar puro! Mas , no interior do Território de Cabinda, ocupado, quem
tem acesso a esta página electrónica?
Brevemente esta página será enriquecida com uma edição
electrónica, NOTÍCIAS DE CABINDA ,
para a qual se espera colaboração de todos aqueles que
amam a liberdade e a verdade..
A nível internacional, o regime colonialista angolano, contrastando
com a propaganda que faz de si próprio (cf. revista TIME , edição
europeia de 2.10.00), impõe uma barreira de silêncio à
situação de Cabinda; MAS ATENÇÃO VERDUGOS DE
LUANDA E SEUS COLABORADORES! Precisamente dos países que constituem
dois dos vossos mais importantes apoios, podemos observar (promissores)
pontos de ruptura nessa barreira vergonhosa, por exemplo Portugal (cf.
O INDEPENDENTE, edição de 22 de Setembro de 2000) e Brasil
(cf. O CORREIO DO POVO; edição de 24 de Setembro de 2000),
notícias disponíveis também na Net.
INFORMAÇÃO MILITAR (nº1)
As forças armadas assassinas do MPLA (FAPLA) utilizam nos seus
bombardeamentos aéreos indiscriminados e que visam essencialmente
a população civil, aviões TUCANO (de ataque ao solo)
de FABRICO BRASILEIRO (bombardeamentos no território de Angola.
Em Cabinda, o ocupante angolano não pode usar aviação
na floresta do Maiombe. A Natureza é uma defesa!).
Da mesma origem , são algumas das bombas químicas (cianido
orgânico, gás dos nervos, fosfina, etc...), altamente tóxicas,
utilizadas nesses bombardeamentos.