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NOTÍCIAS DE CABINDA                                                                                                               EDIÇÃO ELECTRÓNICA

MAIO-DEZEMBRO 2001
ANO 2  NÚMERO 4






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Portuguese television journalists expelled from Cabinda

| FLEC-FAC Continua a Reter Reféns Portugueses | Guerrilha de Cabinda Instala-se no Ex-ZaireNegociações da FLEC-FAC com o Governo Português  |  Bispo de Cabinda Apela à ONU   | Notícias do Interior de Cabinda |

 


 

Tuesday, 3 April, 2001, 15:57 GMT 16:57 UK

Portuguese television journalists expelled from Cabinda

The Angolan authorities have expelled several journalists working for Portuguese television from the Cabinda enclave.

One of them, Luis Castro, said the authorities had said they could not guarantee the journalists' safety.

But he said this was dubious because their difficulties so far had all been caused by the Cabinda authorities, including the seizure of television equipment.

Mr Castro said last month his team had been told to leave, on the grounds that its work was not favourable to the Angolan government.

But he said they were allowed to stay while the authorities reconsidered.

From the newsroom of the BBC World Service

 

 


FLEC-FAC
Continua a Reter Reféns Portugueses
Por JORGE HEITOR

Segunda-feira, 11 de Junho de 2001

Chefe do Estado-Maior diz que "um dia" eles hão-de ser libertados
O Chefe do Estado-Maior das Forças de Libertação de Cabinda, Stanislau Miguel Boma, declarou ontem ao PÚBLICO, ao telefone a partir das matas do interior do território, que os dois reféns portugueses há mais de um ano em poder do seu movimento "continuam em vida" e "estão de saúde". Mas que ainda não pode prometer nada quanto à sua libertação, que dependerá da direcção política da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC/FAC), presidida - a partir de Paris - por Henriques Nzita Tiago.
"Um dia" Manuel Nunes, Marco Paulo Santos e o angolano que com eles foi raptado em Maio de 2000 serão libertados, na sequência de negociações que se encontram em curso, disse Boma, que há 16 anos exerce aquele cargo, na prossecução de uma guerra que dura há 27 (desde o 25 de Abril até à actualidade).
"Temos que aguardar. Pode acontecer que venha a haver uma surpresa", acrescentou o Chefe do Estado-Maior, que alegou ter sob o seu comando milhares de guerrilheiros, numa luta sem tréguas pela independência da mais setentrional das províncias de Angola, situada entre o Oceano Atlântico e os dois Congos.
De acordo com o seu relato, as Forças Armadas Angolanas (FAA) têm estado a empurrar a guerrilha independentista no sentido de esta ser obrigada a cruzar as fronteiras e a entrar nos países vizinhos, com um sério risco de internacionalização do conflito.
Dentro dessa lógica, afirmou que as FAC perseguiram na semana passada militares angolanos até 15 quilómetros para além da fronteira com a República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire), mas que já recuaram.
"Temo-nos aguentado sem qualquer ajuda externa, até atingir a independência total e incondicional de Cabinda. É uma autêntica revolução do povo. Com as armas que em 1975 nos foram dadas por Mobutu e com as que entretanto temos recuperado [às FAA]", prosseguiu Stanislau Boma, segundo o qual a guerrilha chega a movimentar-se a uns escassos 20 quilómetros da capital provincial, a que os naturais chamam Tchiowa.
Manuel Nunes e Marco Paulo Santos, os dois portugueses há 12 meses e meio em poder da FLEC/FAC, são trabalhadores da empresa de construção civil Mota e Companhia, que desde 1946 está presente em Cabinda, território de 7.300 quilómetros quadrados com cerca de 200.000 habitantes e uma forte produção de petróleo.
Grande parte da população - que é muito influenciada pela Igreja Católica - não se sente angolana e gostaria de trilhar um caminho próprio, vindo eventualmente a constituir o sexto Estado africano de língua oficial portuguesa.


Guerrilha de Cabinda Instala-se no Ex-Zaire

Sábado, 9 de Junho de 2001
A direcção político-militar da Frente de Libertação do Estado de Cabinda/Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC) anunciou ontem que deu ordem aos seus combatentes para entrarem na República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire), até uma distância de 50 quilómetros a partir da fronteira.
Contactado telefonicamente em Paris, o presidente do movimento, Henriques Nzita Tiago, confirmou o teor de um comunicado segundo o qual a deslocação de guerrilheiros cabindas para o interior da RDC já começou e vai prosseguir por tempo indeterminado.
"Enquanto durar a presença angolana na RDC, a FLEC-FAC não reconhecerá mais as fronteiras desse país, nos seus antigos limites", disse o movimento, que alega ter actuado assim por qualquer um dos Congos estar a servir de rectaguarda para acções militares de Luanda contra as populações cabindas.
"As mesmas sanções deverão ser proximamente aplicadas contra o Congo de Brazzaville, país pelo qual as tropas angolanas entraram o mês passado em Cabinda, pela fronteira de Kimongo, para chacinar populações civis", acrescentou a FLEC-FAC.
Segundo esta Frente, na noite de 3 para 4 de Maio um contingente militar angolano oriundo da RDC penetrou em Cabinda pela fronteira de Kimbanza e foi repelido pela guerrilha. Na sua fuga, as Forças Armadas Angolanas (FAA) caíram num campo de minas. Para se vingarem, teriam queimado uma aldeia cabinda, antes de se retirar para terras do antigo Zaire.
Desde Maio do ano passado, a FLEC-FAC mantém como reféns dois trabalhadores da empresa portuguesa de construção civil Mota e Companhia: Manuel da Mota Nunes e Marco Paulo da Costa Santos.
Como condição para os libertar, o grupo exige que as autoridades de Lisboa reconheçam o direito de Cabinda à autodeterminação e à independência, uma vez que na sua maioria a população deste estado não se considera angolana.
Jorge Heitor



Negociações da FLEC-FAC com o Governo Português
Domingo, 27 de Maio de 2001
Manuel de Souza-Falcão, representante na Europa da Frente de Libertação do Estado de Cabinda-Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC), declarou ao PÚBLICO que os dois trabalhadores portugueses em poder daquele movimento serão libertados "quando as partes envolvidas no conflito derem os passos necessários e certos, no sentido da resolução do problema de Cabinda".
Segundo ele, os passos em causa passam pela "abertura de negociações francas entre o Governo português, o governo colonialista angolano e os representantes legítimos do povo de Cabinda, sob a égide de uma organização internacional, por exemplo a ONU, em colaboração com a Organização de Unidade Africana (OUA)". E o objectivo seria a realização de um referendo à população do território, sobre o estatuto mais desejável para o mesmo.
Manuel de Sousa Falcão reconheceu que há contactos em curso para a libertação de Manuel da Costa Nunes e Marco da Costa Santos, conforme na quinta-feira já dissera ao PÚBLICO uma fonte governamental portuguesa. Mas acrescentou que "apenas assumirão um carácter sério quando se verificarem no âmbito de negociações sobre o futuro de Cabinda".
Aqueles dois trabalhadores da empresa de construção civil Mota e Companhia foram raptados em 24 de Maio do ano passado, juntamente com o seu colega Sérgio Fidalgo, entretanto libertado no início de Abril.
Entretanto, um grupo intitulado "Filhos e Quadros do Povo de Cabinda" lançou este fim-de-semana na internet o site www.geocities.com/cabindalivre, com o intuito de explicar que o território "foi devotado a um drama de sangue por erros fatais da descolonização portuguesa".
Na sua mensagem inicial, o novo grupo afirma que "Cabinda aspira a ser por Portugal resgatado dos erros de descolonização e do estatuto de território anexado". E que "o petróleo de Cabinda subsidia o neocolonialismo de Angola".
Para além do petróleo, declara que o subsolo de Cabinda possui urânio, ouro, diamante, fosfatos, manganésio e ferro, entre outros minérios, enquanto à superfície se produz café, cacau, milho, mandioca e batata.
J.H.


Bispo de Cabinda Apela à ONU
Por REGINALDO SILVA, em Luanda

Sábado, 12 de Maio de 2001
D. Paulino Madeka posiciona-se ao lado dos independentistas

O bispo católico de Cabinda, D. Paulino Madeka pediu a "intervenção urgente das Nações Unidas" para uma discussão aberta sobre a questão de Cabinda. O bispo fez chegar esta pretensão por intermédio do secretário-geral adjunto da ONU Ibrahim Gambari, que na quarta-feira visitou o enclave, no âmbito da deslocação que realiza a Angola desde o passado domingo.
O conselheiro especial de Kofi Anan para assuntos africanos recebeu um contundente documento da diocese de Cabinda, onde a Igreja Católica local se posiciona contra o que considera ter sido a anexação do enclave pelos três movimentos de libertação (MPLA, FNLA e UNITA) que em 1975 assinaram com Portugal os acordos do Alvor, abrindo caminho para a independência de Angola.
O bispo escreveu no memorando que a anexação do território "desencadeou uma contestação generalizada do povo de Cabinda à qual se seguiu uma brutal e sangrenta repressão protagonizada pela coligação militar angolano-cubano-sovieto-congolesa": "Muitos filhos desta terra foram massacrados e milhares de outros empreenderam a aventura da diáspora nas repúblicas vizinhas do Congo-Brazaville e do ex-Zaire".
O cenário actual é "agravado desta vez com outras componentes como o rapto de cidadãos estrangeiros e angolanos", entre os quais cinco portugueses ainda detidos por duas das facções da FLEC. Segundo a Lusa, o médico angolano Paulo Bernardino foi libertado na quinta-feira pela FLEC/FAC, depois de dois meses e meio de cativeiro.
D. Paulino Madeca considera no seu memorando que o Governo de Eduardo dos Santos ainda não manifestou uma vontade séria de "resolver definitivamente" o problema de Cabinda, depois de ter mostrado "uma certa abertura e sensibilidade" com o estabelecimento de vários contactos com a guerrilha que por "defeito politico-diplomático e até estratégico" não produziram quaisquer resultados.
Nunca como até agora a Igreja Católica de Cabinda tinha assumido de forma oficial uma posição tão frontal de apoio às aspirações dos nacionalistas cabindenses. O Vigário Geral da Diocese de Cabinda, Padre Raul Tati, disse ao PÚBLICO: "Se a ONU foi chamada a intervir no problema da pacificação de Angola, acho que ela passa necessariamente também pela resolução do problema de Cabinda. Há pessoas que estão a morrer, há aldeias que são queimadas, há pessoas que estão a perder os seus haveres."


 

Notícias do Interior de Cabinda

4, Maio, 2001
Tropas Angolanas sofreram um ataque na zona norte de Cabinda que resultou na morte de alguns soldados Angolanos.
Na retaliação as tropas Angolanas mataram dois jovens numa das aldeias do Maiombe.

Um carro com civis a caminho de Tando Zinze, foi interceptado pelos tropas Angolanas do MPLA que violaram na mesma emboscada algumas senhoras da qual veio resultar a morte no hospital de Cabinda de uma rapariga de 17 anos violada
por quase todos os militares Angolanos de MPLA que ali se encontravam.

As patrulhas do Exercito Angolano são cada vez maiores na cidade e no interior de Cabinda com controles a todos os lados.

Precisa:

Acções bem delineadas dentro da cidade de Cabinda que atingem alvos militares e do governo neocolonial Angolano.
Campanhas de destabilização na capital dos Angolanos devem ser levados a cabo com rebentamentos de bombas.
São acções que o povo deseja.

Vamos ao trabalho!


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