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| Rafael
Marques tem dito que os habitantes de Cabinda continuam a conviver com o medo
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refugiados cabindeses foram capturados
| Voici
les informations du terrain
| EM CABINDA PETRÓLEO AFECTA PESCARIA
| CABINDA COM
DIFICULDADES DE COMBUSTÍVEL.
| CABINDA: QUANDO O
PRETROLEO SIGNIFICA DESGRAÇA...
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Rafael Marques tem
dito que os habitantes de Cabinda continuam a conviver com o medo |
09/12/2003
O Open Society Institute (OSI),
de Nova Iorque, decidiu manter como seu
representante em Angola o jornalista Rafael Marques, apesar de todas as
pressões em contrário feitas durante os últimos meses pelo Governo de
Luanda.
"Está fora de hipótese
qualquer acordo que o possa excluir", esclareceu o presidente do OSI,
Aryeh Neier, que hoje termina uma visita de quatro dias a Angola,
acompanhado pelo representante daquela instituição na África Austral,
Tawanda Mutasah.
O OSI, criado pelo
multimilionário George Soros, está a negociar com o Executivo angolano a
assinatura de um acordo de cooperação bilateral para que haja mais
transparência na administração pública, melhorando assim a imagem do
regime de José Eduardo dos Santos.
Rafael Marques encontrava-se
recentemente nos Estados Unidos quando recebeu a notícia de que o Governo
pretendia a sua substituição para que o acordo se concretizasse. Falou com
a direcção do Instituto e conseguiu que, pelo menos por enquanto, ninguém
o afastasse do lugar de representante em Luanda.
Durante a sua deslocação
dos últimos dias a Angola, Aryeh Neier foi inclusive à província de
Cabinda, onde constatou "uma forte presença militar", conforme
depois disse em conferência de Imprensa.
Ali viu, inclusive, que
muitos elementos das Forças Armadas andavam pelas aldeias, o que considerou
susceptível de levar muitos populares a abandonarem as suas terras.
Rafael Marques tem dito que os
habitantes de Cabinda continuam a conviver com o medo, a repressão e a violência,
enquanto muitos deles defendem a possibilidade de o território se tornar
independente.
O Governo angolano apenas
admite a hipótese de autonomia, mas nunca de independência, arrastando-se
assim uma polémica que já tem mais de um quarto de século.
Quando se deslocam às aldeias,
os militares procuram sempre se haverá por lá guerrilheiros da Frente de
Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), criada em 1963 por Luís Ranque
Franck e que depois teve como figuras cimeiras N’zita Henriques Tiago e
António Bento Bembe. J.H.
Transmito-vos esta info que recebi dos irmão
no interior:
7 refugiados cabindeses foram capturados
por soldados angolanos no Mbata Kiunda onde residiam desde a invasão angolana
à região de Miconje.
Trata-se de: - Mauricio Kionga
-Antonio Milando -professor
-Casimiro Fuema
-Alfredo Sassa
-Justino Poba
-José N'Guedi
Na sequencia do ataque de 2-08-03 foi
assassinado o senhor Joel ea sua esposa D. Lessami.
Todos os sete refugiados são dados como
desaparecidos. Os angolanos violaram os espaço territorial da RDC sem serem
inquietados.
Grato pela atenção
Muana Mundele
Mes chers bon jour.
Voici les informations du terrain.
- Vendredi le 10/10/2003 vers 18 H 00, un groupe
des Faa a arrêté un homme de Flec/Fac pour les conduire dans un lieu où
se trouvait nos positions vers Khata kivava"Necuto", arrivé à la
destination, les Faa ont attendu que nos élements finissent de préparer et
dormir. Vers 22 h00 ,ils voullaient capturer tout le monde,après échange
des tirs, Flec a perdu 2 elements et l'innemi 3 et plusieurs blaissés.
-Ce même Vendredi, un hélicopt a été battu dans le
Maiombe a déclaré le Géneral Mende auprès de son ami intimme hier . Je
ne sais plus comment gêrer la situation de l'Enclave a t-il ajouté.
- Hier soir Mercredi,le 14/10 de cette année,vers
19h15 la Cidade de Cabinda a vu passé des armes lourdes à longue portée
destination Maiombe.
«pour virer l'intention de notre innemi à
cidade, il fallait paniquer leur positions qui sont ici. Nos amis du groupe
clandestin réclament toujours les moyens financiers pour acheter les
materiaux sur place.»
C'était le votre Aimé de Voador.
EM CABINDA PETRÓLEO AFECTA PESCARIA
2003-07-22
A exploração petrolífera estará a afectar a pesca artesanal na Republica de
Cabinda. Pelo menos os pescadores que vivem na costa, nos arredores da
capital, estão convictos disso. Para eles, esta é a única justificação para o
abaixamento gradual da produção de peixe nos últimos anos.
Segundo dizem, o que capturavam em apenas um dia leva actualmente três a
conseguir e isto quando têm essa possibilidade. Tem-se dado o caso de ficarem
duas, três noites no mar para pescarem apenas algumas bacias de peixe ou
regressarem sem absolutamente nada. Do seu ponto-de-vista, os constantes
derrames de petróleo no mar de Cabinda conspurcaram de óleo as águas pouco
profundas fazendo afastar os cardumes de peixe, que outrora eram vistos a
sulcar essas águas. “A captação do peixe aqui é muito fraca. Não sei se é por
causa do petróleo ou da água misturada com muita terra, isso é
que não sabemos, não sei”, acrescenta uma peixeira.
O resultado da baixa de produção pesqueira repercute-se no aumento do preço do
peixe. Um monte de cinco peixes “Cachucho” ou “Carapau” chega a custar 500
Kwanzas (1Usd = 80 Kz) ao passo que o preço do peixe mais grosso ronda os 1000
Kz por um monte igual. De acordo com as peixeiras, o incremento do preço deste
produto está igualmente a afectar a qualidade da dieta alimentar dos cabindas,
que não têm recursos suficientes para fazer face à subida vertiginosa de
outros produtos. O peixe, a fuba, o feijão e as ervas são os alimentos
fundamentais na alimentação da populacao Cabindesa.
As consequências da exploração petrolífera em Cabinda, foram de resto
afloradas há duas semanas na conferência “Uma visão comum para Cabinda”.
Nesse evento, a Assembleia exigiu à Cabinda Golf Oil Company a limpeza das
praias e do mar e o recomeço do pagamento das indemnização aos pescadores que
perderam os seus empregos devido a actividade daquela companhia.
CABINDA COM DIFICULDADES DE COMBUSTÍVEL.
2003-07-19
Cabinda está sem combustível para atender as necessidades das viaturas. Todos
os dias, de manhã à noite, as três bombas de
abastecimento ficam superlotadas de veículos numa fila enorme ao longo das
bermas das artérias. Por isso mesmo, os condutores procuram não circular
desnecessariamente marcando em os destinos para onde se dirigem.
Os populares dizem-se cansados da situação, que dura há já muitos anos e não
acreditam na inversão do quadro. Mais do que isso, não compreendem o facto de
Cabinda como a maior produtora de petróleo em Africa atravessar uma situação
do género.
Apesar de possuir esse estatuto, a Republica de Cabinda recebe semanalmente
combustível de Luanda, Angola, que segundo uma fonte não é regular. A falta de
um porto nas águas marítimas da Republica Cabindesa inviabiliza uma descarga
eficiente na degradada ponte-cais. Os barcos de médio porte, que transportam o
combustível são obrigado a ancorarem distante da costa devido à pouca
profundidade das águas naquele local. Por conseguinte, pequenos barcos são
alugados para transportarem o produto até à ponte cais, um processo moroso.
Cabinda, não tem refinaria, mas um projecto antigo para a sua construção foi
proposto na década de 80 pelo então ministro dos petróleos Angolano, Zeferino
Sacayombo, mas não aprovado pelo Conselho de Ministros. Essa proposta terá
custado a cadeira ao Ministro, que na altura tinha saído dos quadros da
Cabinda Golf Oil Company, onde para lá voltou. Entretanto, a cidade do Lobito
em Angola, é a mais recente escolha do governo Angolano para se erguer a
segunda refinaria de Angola.
CABINDA: QUANDO O PRETROLEO SIGNIFICA DESGRAÇA...
15/07/2003
Apesar da sua importância para o desenvolvimento económico de Angola, Cabinda
não dispõe sequer de um porto marítimo, o que contribui para o encarecimento
da vida da população. Basta dizer que um contentor de mil pés desalfandegado
em Luanda a 500 dólares pode custar em Cabinda cinco mil .
A velha ponte cais não pode receber barcos de alto porte. Estes são forçados a
atracar no alto mar e para chegaram a terra, os produtos são transportados por
um “batelão”, o que pressupõe outros gastos.
Há seis anos foi apresentada a maqueta de um porto que seria construído na
província, mas até agora tudo permanece na mesma. Há algum tempo a esta parte,
o Conselho de Ministros aprovou a lei especial aduaneira para Cabinda, visando
o desagravamento das taxas aduaneiras, mas o diploma que devia entrar em vigor
trinta dias depois da sua aprovação, não tem sido posto em prática.
O “El Dorado” afinal não passa de uma miragem. A população diz que a
exploração do petróleo tem tido apenas consequências nefastas para Cabinda.
Francisco Luemba, uma figura bastante conhecida na Republica de Cabinda,
afirma que devido a poluição e outros factores inerentes a actividade
petrolífera, a pesca artesanal está em declínio e os pescadores já não
conseguem sustentar as suas famílias.
“Para pescarem , eles tem de ir mais longe. Com a instalação das sondas,
plataformas e oleodutos são destruídos os recifes naturais que permite a
permanência do pescado. Por outro lado, há uma vasta área do mar em que a
actividade pesqueira é interdita. Agora nem temos o peixe para comer nem os
produtos agrícolas de que vivíamos no passado, pois a agricultura tradicional
também está sendo destruída em consequência da exploração do petróleo, cujos
rendimentos não vemos”- desabafou.
No domínio da Educação e Saúde, as coisas também não vão lá muito bem. Há
falta de escolas e hospitais. Alguns jovens, depois de concluírem o ensino
médio, para prosseguirem os seus estudos são forçados a mudarem-se para Luanda
ou para a Ponta Negra, no Congo Brazzaville.
O núcleo da Universidade pública está uma lástima. Além de falta de
estruturas adequadas, a capacidade de alguns professores é posta em causa,
como nos diz Paulo Jorge, estudante universitário.
“Não sei se é do vosso conhecimento, mas os alunos do ISCED exigiam o
afastamento de alguns professores, cuja qualidade é questionada”- afirmou.
O sentimento independentista é generalizado, a populacao de Cabinda clama pela
Independencia da sua patria.
A conferência sobre Cabinda, promovida pela Open Society, demonstrou que os
políticos do MPLA, cujas forças estão totalmente desarticulas, não tem
expressão na cidade. O movimento de mudanças é liderado pela Igreja Católica,
sendo o padre Casimiro Congo o seu maior impulsionador, sem pôr em causa o
protagonismo de outros líderes religiosos como o padre Raul Taty.
Parece haver uma clara separação entre a Igreja Católica no seu todo e a
diocese de Cabinda sobre a questão da ocupacao de Cabinda pelo MPLA. Alguns
sacerdotes locais são mesmo acusados de pregarem a teologia de libertação, mas
o padre Casimiro Congo, uma figura quase venerada pela população contrapõe.
“Nós aqui não precisamos da teologia de libertação, precisamos sim da
libertação da teologia para dar oportunidade ao sacerdote, aos missionários, a
possibilidade de reflectir sobre a sua própria condição ”- referiu.
A questão ambiental parece, no entanto bastante preocupante. Nos últimos dois
anos registam-se numerosos derrames de petróleo, e desde o inicio da
exploração faz-se a queima sistemática de gás, o que pode ter consequências
nas alterações climatéricas.
A production of CBN -
Cabinda Broadcast Network.
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