CAPITULO IV

SOMOS MAUS, MAS FAÇAMOS AS PAZES

 

TESTO N 65 (R)

( Diâmetro : 16 cm)

 

Figuras :

1) Serpente a vestir uma faixa

2) Concha Seva-mbi

3) Coco

4) Duas conchas Zinga

5) Fruto Ntumpu-Mvemba

 

Provérbios:

1) Nhoka, vuata chi nzemba...

- Minu chi ké i ma vemba kó.

Bonsi i ala vuatila chi nzemba?

«Serpente, veste a faixa.

- Não tenho ombros.

Como posso vestir a faixa?»

Nota: As mulheres de Cabinda trazem os filhos às costas, presos por um pano largo que serve de «chaile». Sobretudo no Maiombe costumam trazê-los também ao ombro, servindo-se para isso de uma faixa de pano forte, atado nas extremidades.

Lançam a faixa a tiracolo, e junto ao quadril metem o filho dentro da faixa. Deste modo o filho fica preso e a mãe pode trabalhar normalmente.

Sentido e Prov. port.: ao impossível ninguém é obrigado.

2) Seva-mbi; menu m'aku mi kuma.

«Rir dos males dos outros; os teus dentes ficam secos» (porque um dia virá em que tu também sofrerás).

Sentido: não se rir da miséria alheia, que nossa será.

 

3) Papa nkandi uele: i papa i bola ku maiala.

«Muitos coconotes cheios: muitos deles hão-de ficar podres na lixeira.»

 

4) Zinga chi bu mpati, zinga chi bu nganga. U zinga zi nchientu, monho u ala chiá.

«Viver com os grandes, viver com os feiticeiros. A vida das mulheres, é viver de madrugada para madrugada.»

Sentido: a vida tem muitas dificuldades; é preciso contar com isso.

5) Ntumpu-Mvemba:

lina tumbukua, li tumbukizi.

«(Afirmo pelo) fruto Ntumpu, consagrado a Mvemba: aquilo que chegou à superfície, apareceu mesmo.»

Explicação:

1) Como queres tu, mulher, que mude de feitio?

E’ impossível.

2-3) Tu também tens as tuas manias e os teus defeitos. Também me fazes sofrer.

E’ assim a vida.

4) Bem sabes que a vida de casados tem as suas dificuldades. Tens de contar com isso.

5) Aqui tens o meu pensar ante as tuas queixas.

 

 

TESTO N. 66 (R)

(diâmetro: 29,50 em)

 

Figuras:

1) mão e pau de tocar o tambor.

2) pequena canoa.

3-4) jacaré e lagarto da água.

5) palmeira.

6) machado.

7) jacaré e varano.

8) objecto de adivinhação chamado Kunda.

9) tenaz para agarrar o ferro em brasa.

10) gibóia a engolir um homem.

11) lagarto em cima de um cesto.

12-13) curandeiro e ajudante com embrulho.

14) semente a nascer.

15) estrela.

16) concha Zinga.

17) concha Chiali-mioko.

18-19) dois frutos Ntumpu-Mvemba.

20) ananás.

21) fruto Saka.

22) víbora.

 

 

 

Provérbios:

1) Minu i bá i ndungu ilu.

U koko ku ami ku mana n'kuanguka.

«Tenho um tambor real.

Mas tenho a mão cortada» (já o não posso tocar).

Nota: O tambor próprio dos nobres era comprido. Tinha na parte superior uma asa para se lhe pegar. Ordinàriamente estava dependurado na varanda da casa. Era um sinal de nobreza.

Sentido: antigamente tinha valor; agora estou velho; ninguém me liga.

 

 

 

Prov. port.: quem é pobre nem pão tem; quem é rico passa bem.

2) Sabula mu buatu bu aku bu kufi.

- Buatu bu ami.

«Atravessa-me na tua pequena canoa.

- Mas é minha» (apesar de ser pequena).

Sentido e Prov. port.: cada qual é senhor daquilo que é seu.

Ngandu... pu! ...

Chi mbolo... pu! ...

Ntenvu i viakene.

«O jacaré (cai na água e faz) ... pu! ...

O lagarto da água (cai na água e faz) ... pu! ...

Mas as ondas são diferentes.»

Sentido: não julgar as coisas pelo exterior.

Prov. port.: as aparências iludem.

5-6) Tali chi kufi, i libá li bola, bau i bau.

«O machado sem aço (já gasto) e a palmeira podre, são iguais» (na sua fraqueza).

Sentido: aos velhos ninguém liga.

Prov. port.: quem andou já não tem para andar.

7) Ngandu ké mina mbambi,

i mbambi ké mina ngandu. kó.

Kal'i kalu ba podi minana kó.

«O jacaré não pode engolir o varano, nem o varano pode engolir o jacaré.

Não se podem engolir um ao outro.»

Nota: Estes animais variam entre si um pouco, embora sejam da mesma espécie animal.

Sentido: os membros da mesma família não se desprezam.

Prov. port.: corvos a corvos não se tiram os olhos.

8) Tsaka-tsaka i kunda, lenda u butu bi andi.

«Quem faz muito barulho, não gosta dos parentes.»

Nota: «Kunda» é um objecto usado pelos Sacerdotes nativos para adivinharem, invocando os espíritos. Tocavam-no durante as cerimônias nativas. É formado de vários «chocalhos», todos ligados entre si. Interiormente tinham um pau a servir de «badalo».

Quando o sacerdote nativo movimentava a «Kunda» fazia um grande barulho. A ciência do sacerdote estava precisamente em saber interpretar esse barulho, e assim descobrir o que os seus consulentes desejavam saber.

«Tsaka-tsaka» é a imitação do barulho produzido ao movimentar o «Kunda».

Sentido: gostas de barafustar, fazer barulho.

Prov. port.: o amigo fingido conhecê-lo-ás no arruido.

 

 

9) Chi fula vã mbazu, bonga mu lu nama.

«O que está em brasa, agarra-o com a tenaz.»

Sentido: as coisas sérias devem ser tratadas com cuidado.

Prov. port.: com coisas sérias não se brinca.

10) Mboma mina muntu...

Nsamu ti kúanga.

«A gibóia engoliu um homem... Ouvimos dizer» (mas não vimos).

Sentido: nem tudo o que se diz é verdade.

Prov. port.: são mais as, vozes que as nozes.

11) Chi mpandí vã mongo tete!...

- Manha!...

« (Olha) o lagarto em cima do cesto (a comer)!...

- Milho.! ... » (é o que está, no cesto, e eu não como milho).

Sentido: o homem pode ter amantes, mas a legítima esposa é sempre a sua mulher.

Prov. port.: o emprestado não é dado.

12-13) Vatagana nkutu, ngeie nganga?

«Por levares embrulho, já és curandeiro?»

Sentido: as aparências enganam.

 

 

14) Nchiá-chi-ochio mu. nkala?

-Telimina u mena.

«O que é isto que nasceu no campo?

- Espera até que cresça (e depois já saberás).»

Sentido: o futuro dirá.

15) Mbota nkunku li buchi bantu monho.

«A estrela-cometa mete medo aos homens.»

Nota: Para os Cabindas, o, aparecimento de cometas é sinal de ano de poucas chuvas e, consequentemente, um ano de fome e miséria.

Sentido: os tempos, as questões são difíceis.

Prov. port.: a barca é rota, salva-se quem puder...

16) Zinga chi bu mpati, zinga chi bu nganga. U zinga zi nchientu, monho u ala chiá.

«Viver com os grandes, viver com os sacerdotes nativos. A vida das mulheres, é viver de madrugada para madrugada.»

17) Chiali-mioko:

nhalizi mioko ké zi nfumu i zi nganga.

«Abre as mãos: estende as mãos para os chefes e feiticeiros.»

18-19) Ntumpu-Mvemba: lina tumbukua, li tumbukizi.

« (Afirmo pelo) fruto Ntumpu, consagrado a

Mvemba: aquilo que chegou à superfície, apareceu mesmo..»

20-21) Li fubu li ngangumuna, ku nlendula saka.

«O ananás é amargo, o que o torna doce,& o fruto saka.»

Sentido: tratas-me mal. Vou dar-te, conselhos, fiques ou não zangado.

22) Mpili i fuá,

i mianga i siala.

«A víbora morreu, mas o veneno ficou.»

Sentido: o malvado nunca se corrige.

Prov. port.: o lobo muda a, pele mas não o vezo.

Explicação:

1) Antigamente era um homem de valor, e respeitavas-me. Agora já me faltas ao respeito por estar velho.

2) Mas, apesar de velho, sou ainda o teu marido.

3-4) Como tal devo ser tratado e estimado por ti. Não me julgues um ser desprezível.

5-6) Devemos ficar juntos até à morte, pois bem sabes que já somos idosos e aos velhos ninguém. liga, nem estima.

7) Não nos maltratemos pois estamos casados.

8) Nem andemos sempre zangados e com discussões.

9) Bem sabes que as, questões de matrimónio, são ,delicadas e por isso devemos ter sempre muito cuidado com tudo.

10) Não ligues às atenções que os outros homens te prestam. É tudo passageiro e sem amor; é só por interesse.

11) Não encontras neles o carinho, e a estima que te dou. A vida dos esposos é sempre melhor.

12-13) Lembra-te que as aparências enganam.

14) O futuro dirá quem tem razão.

15) Não entremos agora em pormenores, pois o momento não é propício.

16) Aceitemos tudo isso como fazendo parte da vida de casados.

17) Vivamos bem para o futuro.

18-19) Eis o que tenho a dizer-te.

20-21) E digo-te todas estás coisas, na esperança de aceitares bem todos estes meus conselhos, e te corrigires,

22) ... embora já conheça o teu fraco feitio, e esteja convencido que não mudarás muito.

 

 

TESTO N 67 (R)

(Diametro: 16,50cm)

 

Figuras:

1) Caranguejo

2) Tartaruga

Provérbio:

Muana nkuvu i muana kala mbu u mvele ka podi tala nkanda kó. Ibila ba b'onso mvesse i mvesse bu ba tula va mongo.

«A tartaruga e ao caranguejo do mar ninguém lhes pode tirar a pele. Porque é osso, só osso.»

Sentido: a tartaruga e o caranguejo são do mar. Por isso, como vivem juntos, devem dar-se bem, e quando forem atacados devem defender-se mutuamente.

Prov. port.: corvos a corvos não se tiram os olhos.

Explicação:

Estamos casados. Somos dois numa só carne. Devemos defender-nos mútuamente. Entendermo-nos bem na nossa vida familiar.

Contra os outros, devemos estar sempre unidos.

 


 

 

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